Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Omnipresente

Hoje decidi que partirei.
Deixo para trás tudo o que me lembra...
Abandono a insanidade em que mergulhei....
Estas ruas desertas que transbordam de memórias...
Esta ausência omnipresente...Não a suporto.
Passaram-se anos...Século até...
Ainda existe? Talvez exista...
Numa qualquer dimensão que a minha pequenez não alcança.
Fiz-me mal. Adormeci...Absorta no cruel encanto dos meus anseios.
Agora parto. Combato a inércia de quem morre todos os dias.
Aumento a inexorável distância que me aparta...
Acima de tudo, de mim.
Abandono as sombras. Abraçarei a dor à luz do dia.
Admitirei, por fim, que mal amei...

Sábado, 19 de Janeiro de 2008

Cruel

Sei lá se nasci cruel!!
Ou terá sido a vida a moldar-me assim?
Será relevante conhecer o inicio desta tormenta?
Será definitivo colocar-lhe um tão aclamado fim?
Não sei.Adoeci.
Estou cansada de ser este ser que lamenta...
Este vulto que de todos ostenta ,
A perfeição que nunca descobre em si.

Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Simplicidade

Simplicidade...
É o que , por vezes, anseio.
Simplicidade na mecânica do pensamento.
Reduzir o quotidiano à sua dimensão.
Sentí-lo como fazem os inocentes:
Uma sequência de sensações...
Uma causalidade aleatória...
Sem rasgos inteligíveis...
Ou lógicas requintadas.
Sem análises...
Viver o dia.
Experienciar cada segundo por si só...
Sem reflectir...Sem condenar ao cepticismo o espanto.
Sem dotar de explicações o inexplicável.
Viver e contemplar...Somente.
Simplicidade.
É o que, por vezes, anseio.

Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Tangível

Nunca vivi o que sonhei.
Nem tão pouco sonhei o tangível.
O possível torna-se abstracto aos meus olhos.
É tudo complicado.Demasiado complicado para a quem falta a coragem.
Não será essa, no entanto, relativa?
Não será coragem abdicar de impulsos?
Não...É medo.Somente medo.
O vazio, esse,mantém-se...Esta saudade incerta...indefinida ....permanece aqui.
A penumbra envolve-me.
Não é sol, não é lua.
Não é sonho, nem realidade...
Apenas algo incompleto.

Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

....

"Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro e aspiro unicamente à liberdade." Antero de Quental